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quinta-feira, 8 de março de 2012

#Resenha - A Revolução dos Bichos, de George Orwell

"Todos os animais são iguais; mas alguns são mais iguais que os outros"


A obra de George Orwell, escrita em plena Segunda Guerra Mundial e tomada de uma simplicidade poética, esconde por trás dessa poesia uma crítica dura ao totalitarismo de Stálin. Orwell acreditava que a URSS não aplicava o socialismo real, o qual ele acreditava, e que era necessário abrir os olhos da camada dos trabalhadores proletariados com uma história simples, e que falasse por si só. Segundo ele “se a obra não falar por si só, significa que ela fracassou”. Estamos diante de uma fábula belíssima que atravessou os anos sem nunca perder o valor, e, principalmente, o cunho histórico a qual está atrelada.
Os animais da Granja do Solar estão infelizes. Passam fome, trabalham muito e decidem, com as últimos palavras do Major, o porco mais velho da Granja, a fazer uma Revolução e expulsar o senhor Jones, o fazendeiro. Após o êxito da expulsão, Napoleão e Bola-de-Neve começam a comandar os outros bichos, criando leis e cuidando da “ordem social”, fazendo-os trabalhar para tocar a fazenda sem o proprietário. Os bichos estão felizes agora, regidos pelo Animalismo; são livres e trabalham para seu próprio sustento, fazendo comemorações com a bandeira com um casco e um chifre cruzados (muito familiar, não?). Mas até que ponto essa felicidade durará com os porcos na liderança?
As alusões claras à Stálin como Napoleão e Trotski como Bola-de-neve são evidentes por si só, e o fato de serem porcos dá à obra um tom de ironia ainda maior. Numa época em que não se falava mal sobre a URSS, e a Inglaterra estava cega diante das atrocidades cometidas no país, fica fácil concluir que o livro foi difícil de circular. Antes de ser aprovado, quatro editoras recusaram publicar, uma por questões ideológicas e as outras três por motivos irrelevantes.
Vale ressaltar alguns pontos históricos ao qual o autor se remete, a saber: Revolução Russa, a alienação histórica e das pessoas com relação a Trotski (a começar por você: sabe quem foi? O que fazia? Pois é, Stálin fez questão que você não soubesse tão facilmente) e, principalmente, a conferência de Teerã, com a reunião de Stálin, Churchill e Roosevelt a qual, particularmente, acho a parte mais genial da obra e fez com que eu a colocasse nos meus favoritos.
A história é simples, mas é tão valiosa em tantos sentidos que ao menos simpatia o leitor terá para com Orwell, se não achá-lo genial. Posteriormente, no término da Segunda Guerra e no começo da Guerra Fria, a obra foi utilizada como um panfleto contra o comunismo, inclusive contra a vontade do próprio autor, que era adepto. É uma obra espetacular, que deveria ser lida por todos, não por causa da crítica ao totalitarismo, mas pelo que ela representa na história.

5 estrelas


P.S A versão que tive o prazer de ler possui o primeiro prefácio que ele escreveu, para os leitores ucranianos, e que diz muito do sentimento dele em relação ao momento histórico em que se encaixava.

P.S 2 No posfácio fiz que Lênin não aparece na história, mas achei o Major tão com aspecto de Lênin que pra mim ele está na história, mesmo que indiretamente.


Essa postagem faz parte do projeto 501 grandes escritores

quinta-feira, 1 de março de 2012

#Resenha - E não sobrou nenhum, de Agatha Christie


Agatha Christie não decepciona. Mas, como aconteceu em alguns livros que li, o estilo dela não havia me prendido totalmente ainda, até esta história. O título, à primeira vista, é muito, muito sugestivo, e não há como esconder o que acontecerá no decorrer da trama, mas Agatha consegue fisgar e prender o leitor tão bem que dificilmente ele vai largar o livro antes do fim.
Dez pessoas aleatórias e aparentemente desconhecidas entre si são convidadas, simultaneamente, pelo Sr. Owen, para ir à ilha do Soldado. Alguns foram a trabalho, outros para férias de uma semana, convidados por seus "antigos amigos", como dizia na maioria das cartas-convite. Chegando à ilha, todos estão desconfiados por serem tão diferentes uns dos outros, mas todos  eles têm uma coisa em comum em seu passado: a morte.
Dada essa premissa, fica fácil saber que a trama é, sem dúvida, um deleite de leitura. A autora arma uma cama de gato de forma magistral, às vezes incriminando um, às vezes incriminando outro, e com um desfecho simplesmente fantástico e muito satisfatório. O modo, também, como ela arma certos trocadilhos no decorrer do livro mostra que ela não era apenas uma boa contadora de histórias, mas uma excelente escritora, de fato. Foi um livro ótimo de ler, e foi para minha lista de favoritos, o que não é à toa, porque li em praticamente uma madrugada - simplesmente precisava saber o fim. Apesar do título insinuante, isso não compromete em nada essa trama muito bem articulada. O modo como ela sugere e instiga a desconfiança do leitor a ir de um personagem a outro é fenomenal. E, até o fim, minhas desconfianças foram inúmeras.  Recomendadíssimo.

Daria muito mais estrelas se pudesse

 

P.S: Existem traduções como Convite para a Morte, O vingador Invisível, O Caso dos 10 negrinhos, mas, basicamente, ele é conhecido por esse novo título, ao menos recentemente.

P.S 2: Há, também, uma peça teatral, intitulada "Os dez indiozinhos", e um filme, "Convite para a Morte" (uma de 1943 e uma de 1945, respectivamente) e a peça pode ser encontrada no livro “A Ratoeira e Outras Histórias”.
Alguns dos convidados
Esse é meu primeiro livro de Março para o Desafio Literário 2012. O tema desse mês é "Serial Killer", ou seja, autoexplicativo. Para saber mais das outras resenhas, clique aqui. Infelizmente, não está na lista do meu outro projeto :\

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

#Resenha: O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry


“All grown ups were children once”

Um piloto tem problemas no avião e cai no Deserto do Saaha, achando que está sozinho e vai morrer de sede. Mas, quando acorda, é surpreendido por um homenzinho loiro com um cachecol dourado, que é um pequeno príncipe de um pequeno planeta. O pequeno príncipe, quando faz uma pergunta, nunca a deixa morrer até ser respondida. Em contrapartida, ele não gosta de responder as perguntas do aviador, mas mesmo assim o pequeno príncipe acaba contando suas histórias e aprendizados.
Todos os adultos foram crianças uma vez, mas eles esquecem. Por isso, acabam esquecendo as coisas essenciais e simples da vida, e não conseguem enxergar nada além do que está em sua frente. Basicamente, os ensinamentos desse livro se resumem a isso, e é um excelente aprendizado para crianças e adultos.
O livro tem tantas simbologias e é tomado de uma poesia que encanta os olhos do leitor. Recomendo, muitíssimo, que leiam essa fábula que atravessa os anos e não perde seu valor. Esse foi o primeiro livro que li inteiro em inglês, e tem certas palavras que são difíceis para o meu nível de leitura, mas isso não desmerece em nada a obra, nem as minhas impressões acerca dela.
Saint-Exupéry mostra uma sutileza de sentimentos e considerações sobre o adulto, e sobre como eles não entendem nada, sendo trabalho das crianças tentar explicar as coisas. Além disso, podemos ver uma descrença do próprio autor com relação aos adultos, porque ele próprio era piloto da Força Aérea Francesa, tendo morrido no quase término da Segunda Guerra Mundial; ou seja, o piloto da história pode ser comparado ao autor e vice-versa. A morte Saint-Exupéry foi trágica, e nunca encontraram o corpo dele, mas isso não o define como autor, e sim essa obra magnífica, com ilustrações simples mas únicas. Lindo, simplesmente.



Quotes que merecem ser destacados:


(o essencial é invisível aos olhos)
(Os olhos são cegos. Você deve procurar com o coração)
(Tu és inteiramente responsável por aquilo que cativas)

Traduções literais, ao menos como eu sempre ouvi.

5 estrelas!



Esse é o quinto e último livro de fevereiro do Desafio Literário, e também mais um livro do projeto 501 grandes escritores

P.S: Pegadinha pra quem ainda não leu: o que é isso? Haha
Se souber responder, sua criança interna ainda não morreu :) 
E quem leu, não responda!

P.S 2: a editora Collector's library é toda linda! É um livro pequeno com bordas douradas, e tem uma capa vermelha de veludo. Como estava na promoção, comprei e adorei! recomendo!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

#Resenha: Werther, de Goethe




Este é o primeiro livro que leio de Johann Wolfgang Von Goethe, e devo dizer, não me decepcionei. Por muitos momentos me identifiquei com Werther, e suas palavras ainda ecoam na minha mente. Acho que todos deveriam ler esse livro, que contém excelentes ensinamentos, além de uma leitura rápida e agradável.
O livro é todo contado pela visão de Werther, em cartas endereçadas ao seu amigo, Wilhelm. Werther conta cada minúcia de seus sentimentos e cada impressão que as pessoas e a natureza lhe proporcionam, e por muitas vezes pude imaginar o cenário que ele percebia. Assolado por uma paixão arrebatadora, também este amor pode ser percebido pelo leitor, tamanha é a grandiosidade com que é descrito. A dor do personagem pode ser percebida igualmente pelo leitor, que sofre, e descreve o sofrimento que o consome dia após dia. Ou seja: tudo, absolutamente tudo pode ser sentido, visto e observado pelos olhos de Werther. Senti-me como se fosse Wilhelm, e compartilhei cada carta como se fossem escritas para mim.
 É um livro curto, de 162 páginas, que é bonito, profundo e romântico, sendo o marco do romantismo do século XVIII e meio autobiográfico também, afora o final. Não estava preparada para uma leitura tão densa, mas depois que comecei a ler, foram raras as vezes que consegui parar. E, para ter uma noção do quão profundo é o livro, houve uma onda de suicídios depois que ele foi lançado.


Darei 5 estrelas, e votos de que leiam (mas não se suicidem!)


Curiosidade: Já tinha o livro em mãos e já estava pensando em lê-lo, mas Frankenstein estragou tudo! Esse é um dos dois livros que o monstro encontra em uma cesta, quando começa a aprender a se comunicar. Ele conta o final do livro, Danmit! Mesmo assim, foi uma ótima leitura.

P.S: a edição que tenho diz apenas "Werther", mas vi várias edições em que o nome é "Os sofrimentos do Jovem Werther". Acho que aqui no Brasil é mais comum esse título.


Esse é o segundo livro para odesafio literário do mês de fevereiro e meu segundo clássico!