"Todos os animais são iguais; mas alguns são mais iguais que os outros"
A obra de George Orwell, escrita
em plena Segunda Guerra Mundial e tomada de uma simplicidade poética, esconde
por trás dessa poesia uma crítica dura ao totalitarismo de Stálin. Orwell
acreditava que a URSS não aplicava o socialismo real, o qual ele acreditava, e
que era necessário abrir os olhos da camada dos trabalhadores proletariados com
uma história simples, e que falasse por si só. Segundo ele “se a obra não falar por si só, significa que ela fracassou”.
Estamos diante de uma fábula belíssima que atravessou os anos sem nunca perder
o valor, e, principalmente, o cunho histórico a qual está atrelada.
As alusões claras à Stálin como
Napoleão e Trotski como Bola-de-neve são evidentes por si só, e o fato de serem
porcos dá à obra um tom de ironia ainda maior. Numa época em que não se falava
mal sobre a URSS, e a Inglaterra estava cega diante das atrocidades cometidas
no país, fica fácil concluir que o livro foi difícil de circular. Antes de ser
aprovado, quatro editoras recusaram publicar, uma por questões ideológicas e as
outras três por motivos irrelevantes.
Vale ressaltar alguns pontos históricos ao qual o autor se remete, a saber: Revolução Russa, a alienação histórica e das pessoas com relação a Trotski (a começar por você: sabe quem foi? O que fazia? Pois é, Stálin fez questão que você não soubesse tão facilmente) e, principalmente, a conferência de Teerã, com a reunião de Stálin, Churchill e Roosevelt a qual, particularmente, acho a parte mais genial da obra e fez com que eu a colocasse nos meus favoritos.
A história é simples, mas é tão
valiosa em tantos sentidos que ao menos simpatia o leitor terá para com Orwell,
se não achá-lo genial. Posteriormente, no término da Segunda Guerra e no começo
da Guerra Fria, a obra foi utilizada como um panfleto contra o comunismo,
inclusive contra a vontade do próprio autor, que era adepto. É uma obra
espetacular, que deveria ser lida por todos, não por causa da crítica ao
totalitarismo, mas pelo que ela representa na história.
5 estrelas
P.S A versão que tive o prazer de ler
possui o primeiro prefácio que ele escreveu, para os leitores ucranianos, e que
diz muito do sentimento dele em relação ao momento histórico em que se
encaixava.
P.S 2 No posfácio fiz que Lênin não
aparece na história, mas achei o Major tão com aspecto de Lênin que pra mim ele
está na história, mesmo que indiretamente.
Essa postagem faz parte do
projeto 501 grandes escritores


